Jovem moçambicano construiu 14 drones no quarto. O 15.º vai levar medicamentos a 200 km de distância
Jovem moçambicano construiu 14 drones no quarto. O 15.º vai levar medicamentos a 200 km de distância
Fazer um ‘drone’ exige programação, testes, impressão 3D e muito investimento, diz Cleiton — que chegou a chorar quando o primeiro ‘drone’ não respondia aos comandos. Desde então, construiu 14 ‘drones’ destinados a filmagens, mapeamento, corridas e transporte de pequenas cargas.
O jovem inventor moçambicano Cleiton Michaque, de 19 anos e estudante de Engenharia Electrónica na Universidade Eduardo Mondlane, construiu 14 drones no seu quarto e está agora a testar um 15.º aparelho concebido para transportar medicamentos até 200 quilómetros de distância em zonas de difícil acesso em Moçambique.
O 15.º drone foi desenvolvido para superar estradas degradadas, rios e áreas afectadas por cheias, levando mantimentos e fármacos a comunidades remotas (como na província de Gaza).
O protótipo tem autonomia para percorrer até 200 km com o auxílio de GPS e foi projetado para carregar uma carga técnica de até 3 kg (embora o limite de segurança recomendado seja de 2 kg).
O protótipo está ainda em fase final de testes, realizando actualmente voos experimentais de cerca de dois quilómetros, muitas vezes a partir da sua casa, no bairro Tsalala, na província de Maputo.
Equipado com GPS e sistema de navegação autónoma, o aparelho segue uma rota previamente programada, entrega a carga no destino e regressa automaticamente ao ponto de partida.
O modelo utiliza baterias importadas da África do Sul, que actualmente permitem voos entre 30 e 45 minutos, enquanto outros protótipos mais pequenos têm autonomia entre oito e 12 minutos.
O estudante já está a testar novas configurações para alcançar uma autonomia máxima de 200 quilómetros: “Isso por conta do sistema de GPS que tem.
O equipamento suporta tecnicamente até três quilogramas de carga, embora os ensaios estejam limitados a dois quilogramas por razões de segurança, permitindo transportar medicamentos, alimentos, água, roupa e outras pequenas encomendas.
Para chegar a este resultado, Cleiton Michaque começou a construir ‘drones’ em 2019, ainda adolescente, recorrendo inicialmente ao computador do pai para aprender programação e electrónica de forma autodidata.
O primeiro protótipo exigiu meses de investigação, testes e sucessivas tentativas até conseguir levantar voo, experiência que considera determinante para os projetos que desenvolve actualmente.
Cleiton explica que fabricar um ‘drone’ (e já construiu do zero mais de uma dezena) exige conhecimentos de electrónica, programação, mecânica e impressão tridimensional, além de um investimento elevado, uma vez que praticamente todos os componentes, motores, controladores, hélices, baterias e outros equipamentos, são importados, sobretudo da África do Sul.
Com todos os materiais disponíveis, estima conseguir produzir até cinco ‘drones’ por dia. E sonha produzir uma centena em duas semanas.
Fonte: zap.aeiou.pt

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